‘Eu não estou morrendo, estou vivendo’ Tiago Pitthan, de 49 anos
Tiago, ficou conhecido nacionalmente depois que anunciou seu velório em vida, para celebrar com amigos e familiares, já que foi diagnosticado com câncer de estômago sem possibilidade de cura.
Diagnosticado com câncer de estômago sem chance de cura, o jornalista Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, reuniu amigos e familiares neste sábado (30), em Campo Grande, para um “velório em vida”. A proposta foi celebrar a própria história enquanto ainda pode compartilhar momentos com quem ama e reforçar a mensagem de que a doença não define sua existência.
Durante o encontro, realizado em um antigo galpão de cervejaria, Tiago resumiu o sentido da celebração.
“As pessoas perguntam para mim como é estar morrendo. E eu só tenho uma resposta para dar: eu não estou morrendo, eu estou vivendo.”
O espaço foi decorado com flores e discos pendurados. Abraços, músicas e conversas marcaram a tarde, que teve clima de confraternização, não de despedida. O anfitrião circulou entre os convidados, sorriu, se emocionou e participou das homenagens.
Segundo ele, a ideia central foi reafirmar que a vida continua, apesar do diagnóstico.
“Eu vou morrer uma vez só. O resto do tempo eu estou vivendo.”
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Quadro para mensagens de despedida. — Foto: Alison Lima
Decisão após diagnóstico
A história começou durante o réveillon de 2023 para 2024, em Bonito, quando Tiago percebeu dificuldade para se alimentar. Após meses de exames, recebeu o diagnóstico de adenocarcinoma gástrico.
Inicialmente, havia expectativa de cirurgia. No entanto, os médicos constataram que a doença já havia se espalhado.
“Eu descobri que não tinha cura. Que teria de viver com aquilo; provavelmente, morrer daquilo.”
Mesmo diante da notícia, ele diz ter encontrado clareza. “Quando recebi o diagnóstico, foi até um alívio. Eu sabia quem era o inimigo. E decidi: eu tenho câncer, mas o câncer não me tem.”
Ideia surgiu em velório do pai
A inspiração para o evento veio em agosto de 2024, durante o velório do pai. Na ocasião, Tiago percebeu a ausência do principal personagem da homenagem.
“Ninguém sabe mais sobre meu pai do que ele mesmo. Faltou ele ali.”
Foi então que tomou a decisão. “Naquele momento eu decidi que não ia faltar no meu velório.”
O que começou como um encontro pequeno cresceu após repercussão na imprensa e nas redes sociais.
Convidados viajaram de outros estados
A história mobilizou pessoas de diferentes regiões do país. A servidora pública Lícia Freitas, de 43 anos, e o servidor público Ramon Santos, de 56, viajaram de João Pessoa (PB) até Campo Grande para participar.
Lícia disse ter se identificado com a forma como Tiago enfrenta a doença. “Me tocou bastante a história dele e ver como ele encara a vida abreviada.”
Ela contou que o pai também teve câncer de estômago. “Meu pai, assim como ele, teve muita coragem, muita resiliência e aceitou a morte como consequência da vida. Em nenhum momento lamentou.”
Para Ramon, o exemplo deixado pelo anfitrião é claro. “Ele é um sujeito admirável e não deixou a proximidade da morte paralisar a vida.”
Celebração da vida
Durante o evento, Tiago reforçou o que esperava daquele momento: “Eu quero abraçar e ser abraçado. Eu quero receber carinho, dar carinho. Eu quero rir. Eu quero chorar de emoção.”
E foi esse o clima predominante. Entre músicas, histórias e encontros, a celebração foi marcada por afeto — e pela escolha de viver intensamente o presente.
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Tiago Pitthan durante a celebração da própria vida, realizada em Campo Grande. — Foto: Alison Lima

